quarta-feira, 8 de julho de 2015

A Luz de Cada Mundo 6# - O primeiro capítulo

O amor entre um livro e seu autor...
  Oi pessoal! Tudo bem? Estou voltando aqui para a divulgação de A Luz de Cada Mundo, e hoje, trago a vocês algo incrível! O primeiro capítulo de A Luz de Cada Mundo! Na integra!
  Desculpem-me pelo excesso de exclamações, mas é que não dá para conter a emoção diante do fato de estar postando o primeiro capítulo para todos vocês! E se não está habituado a ler pelo computador e/ou navegador do celular, pode conferir essa prévia incrível também no Nyah! Fanfiction, SocialSpirit e no Wattpad nos links que deixo abaixo.
  Só avisando que irei postar um capítulo por semana até o lançamento do livro nos dias 27 e 28 de Julho, e quem está lendo já pode comprar o livro na pré-venda da Amazon.com em outro link que também deixo abaixo...

Pra quem fica, um bom dia e espero que gostem, e se gostarem, comentem! Nada custa falar o que acharam da história, e ficarei honrado se receber um comentário de qualquer um de vocês depois de um ano de trabalho.

Boa leitura!

Starlight City - Parte 1


Ryze Hope. Esse é o meu nome desde que nasci, ou pelo menos de acordo com a minha certidão de nascimento, que também consta que eu nasci aqui mesmo, em Starlight City. Eu poderia dizer “oi, eu sou Ryze Hope”, mas seria uma baita de uma mentira, sendo que nem eu mesmo sei quem é esse cara. Alguns dizem que ele é o garoto na ultima carteira da sala de aula, e outros falam dele ser o cara gótico de cabelos e olhos azuis... Mas são todos grandes idiotas. Eu sou o único que realmente vai conhecer Ryze algum dia, mas infelizmente esse dia não é hoje.
Olhar para o espelho, mesmo que fosse só pra escovar os dentes iguais eu fazia naquele momento, sempre me deixava mais na duvida sobre quem eu era; olhar para o uniforme da escola como se ele fizesse parte de mim também era confuso. Há três meses eu não teria pressa em saber quem eu sou, mas agora saber é ter uma razão pra viver.
— Ryze! Hora de ir pra escola!
O grito da minha tia me tirou totalmente dos meus pensamentos. Revirei os olhos. Não adiantava discutir por gritos por mais que eles me incomodassem, e sabendo que ela sempre continuaria a gritar na minha cabeça, também não valia a pena. Assim, eu peguei a mochila do chão do banheiro e sai de lá. Minha zona de conforto era a minha casa, e qualquer outro mundinho que existisse por ai simplesmente não me interessava.
Estava no segundo andar da minha casa, saindo do banheiro em direção ao andar de baixo até que passei pelo meu quarto e logo lembrei que esquecia uma pequena coisa. Dei meia volta e entrei nele, pegando o colar que estava em cima da minha cama. Até que ele tem muita história, afinal, eu o uso desde o dia em que eu nasci. A minha mãe disse que estava em mim quando me buscaram na maternidade, achou bonito, então não o tirou. A partir dai, eu sempre usava aquela esmeralda verde presa a uma corda preta, tirei somente para lavar hoje de manhã. Mas agora, estava de volta ao seu lugar no meu pescoço.
Desci as escadas, passei pela sala de estar, e finalmente cheguei à cozinha. Dei de cara com a minha tia tomando café e me olhando. Ela se chamava Miria, tinha vinte e seis anos e era uma das cinco irmãs de minha mãe, tendo até a mesma cor de cabelo e os mesmos olhos azuis que ela, já que o meu cabelo azul eu tinha herdado da família do meu pai.
— Ryze lembra que hoje você precisa chegar cedo pra...
— Festa de quinze anos da minha prima — completei a frase de minha tia enquanto passava reto pela cozinha. Eu senti o olhar raivoso dela sobre mim quando eu falei, mas ela sabia o quanto eu achava aquilo tudo uma bobagem. Eram os quinze anos, não se pode dirigir, nem comprar uma casa, nem ao menos viajar sem a permissão de um responsável, então qual é a graça? Pra minha prima, deve ser um computador novo pra ela. Enfim, não dava pra sobreviver com o olhar de Miria sobre mim... — Olha você sabe que eu chego aqui cedo! Além disso, a porcaria da festa vai ser só umas oito da noite, acha mesmo que eu vou conseguir ficar na rua até tão tarde?
— A sua mãe às vezes diz que você fica o dia todo na rua fazendo sei-lá-o-quê, então é melhor prevenir...
— Eu não fico na rua, eu fico no portão da minha casa observando a rua. E eu estou te falando que eu vou chegar cedo hoje, então dá pra confiar? — falei tentando não brigar com Miria pelo menos hoje, antes de finalmente bater a porta atrás de mim e sair de casa.
Andava pelas ruas de Starlight City todos os dias me sentindo num novo mundo. Um mundo de desconhecidos. Diferente dos meus pais que conheciam Deus e o mundo por aqui, eu não conhecia ninguém da mesma forma que ninguém me conhecia. Para eles, eu era tipo “o filho de fulano de tal” ou “o garoto da casa tal”, mas ainda assim eu não fazia nenhuma questão de baixar meu olhar enquanto andava pela rua, mantendo sempre a cabeça erguida. Mas confesso que sempre agradecia a Deus pela minha escola ficar somente a alguns minutos andando de minha casa.
E quando cheguei à “Buddy K. Holmes”, eu também não olhei diretamente para ninguém. Não é que eu tinha ódio eterno das pessoas que estudavam ou trabalhavam ali, mas também não tinha amizade para olhar alguém olho no olho. Quanto a Buddy K. Holmes, o nome era um tanto bobo pra uma escola, mas era em homenagem a um grande médico de Starlight City, e deve ser por isso que a camiseta de gola do uniforme me lembre tanto um jaleco de médico.
O lugar era grande, com um pátio e uma quadra enormes, bastando subir até o terceiro andar de escada que chegávamos à minha sala de aula, que era o lugar aonde havia chegado agora mesmo. Como sempre, eu fui o primeiro a chegar, então fui para o meu lugar: era no fundo da sala, ultima carteira, perto da janela; chamem-me de estranho, mas era o meu lugar favorito naquela escola toda, pois era quieto, e eu ficava quase que completamente fora da visão dos professores todo o tempo.
Sentei-me e coloquei minha mochila no chão, tirando meu caderno e estojo e fiquei olhando aleatoriamente pela sala. Era um silêncio danado por aqui, principalmente agora, quando a maioria dos alunos estava no pátio não tendo a menor vontade de entrar na sala, a não ser eu. Mas parece que isso havia mudado em um estalar de dedos.
De repente, uma garota entrou pela porta. Não era nenhum aluno e muito menos um professor que eu me lembrasse de ter visto. Na verdade parecia uma aluna, era uma garota loira de pele branca, olhos verdes e que andava com um sorriso, mesmo sem motivo. Com o uniforme típico das meninas daqui, saia xadrez e uma blusa de manga curta com o nome da escola, ela parecia olhar para mim com a mesma surpresa e curiosidade com a qual eu olhava para ela.
Logo parei de encará-la e desviei o olhar. Deu para perceber que ela era nova só de olhar para ela, mas eu não queria amizades com ninguém naquele lugar, muito menos com a novata da vez. O mesmo não pôde ser dito dela em relação a mim, pois de repente, ela parou na minha frente e ficou me olhando, como se quisesse dizer algo.
— Oi... — eu achei que ela estava meio perdida entre as palavras, mas nada fiz, apenas fiquei ali olhando sua face confusa, esperando sua coragem para dizer algo. Começou. Termina. — Eu sou nova aqui, dá pra ver que eu estou muito perdida? — ela disse dando uma risada sem graça. Eu também dei outra risada sem graça, tentando ser um mínimo simpático.
— Meio que dá. — Eu não queria papo nenhum com ela. Não queria que ela me visse como o amigo dela lá dentro, eu queria que ela achasse alguém que quisesse estar com ela tanto quanto eu queria estar sozinho. Acho que estou sendo dramático, afinal a garota só estava puxando papo, mas é sempre assim que começa...
— Eu sou Chloe, Chloe Lights. Eu acabei de me mudar pra essa parte da cidade e então eu não conheço muita coisa... — ela continuava a falar, contando a história dela como quem queria criar uma amizade, sabe? — Alguém senta aqui? — perguntou, apontando para a cadeira à frente da minha. Como eu já disse, ninguém ali falava comigo, da mesma forma que ninguém sentava perto de mim. A resposta, era simplesmente obvia.
— Eu acho que não, mas...
— Ótimo! — ela disse, sem me deixar terminar de falar e já se sentando a minha frente. Ela deixou a mochila no chão exatamente igual a mim. Após isso, ela se virou novamente — Qual é o seu nome? — ela perguntou. Pra uma novata ela já falava bastante.
— Ryze. — Não dei espaço para nenhuma conversa.
— Ryze do que?
— Isso é mesmo necessário? — eu perguntei, chegando ao meu limite de simpatia, aquilo já estava começando a ficar ridículo. Será que eu não estava transparente sobre as minhas intenções com ela? Ou pelo menos sobre a falta delas?
— O que?
— Essa coisa de tentar criar amizade. — Chloe pareceu ainda não ter entendido. Eu revirei os olhos para isso, como ela podia ser tão lerda? — Não vai querer fazer amizade comigo, Chloe! — eu disse logo me encostando à cadeira.
— Por que não? Você é algum tipo de serial-killer, traficante, lobo solitário ou algo do tipo? — primeira brincadeira; ela realmente queria amizade. Eu me mantive sério para ver se ela se tocava.
— Não preciso e nem quero amigos... — Abri meu caderno pra fingir que fazia alguma coisa. Aquela conversa não estava sendo legal.
— Tudo mundo precisa de amigos! — Chloe se manteve firme em sua frase. Olhei pra ela e vi seu rosto pacifico apesar de tudo, mas antes que eu pudesse responder alguma coisa, ela se virou para frente. Ótimo, apesar de todas as minhas tentativas de não me aproximar da novata, ela agora deveria achar que eu sou algum tipo de lobo solitário, serial-killer ou traficante.
Bem, até que ela tinha razão em certas partes...
— E se não quisesse amigos, não teria se dado ao trabalho de lembrar o meu nome. — Disse ela sem se virar. Eu responderia se o professor não tivesse acabado de chegar, com sua calça jeans, colete preto e pilhas de livros de sempre!
Eu respirei fundo, não aguentava mais aquela escola.
Foi ai que eu notei um brilho mais do que estranho vindo de dentro da minha camiseta branca. Ao olhar por dentro da mesma, eu percebi que o meu colar, aquele que eu carregava no pescoço há tempos desde a minha infância, estava brilhando. Aquilo estava me assustando. O meu colar nunca brilhou durante todo o tempo em que estive com ele, e agora ele estava brilhando?
Tirei-o do meu pescoço para checar aquele estranho brilho azul direito. Contudo, assim que o tirei, o colar havia parado de brilhar de uma hora pra outra. Tudo bem, aquilo já havia ultrapassado o estranho e estava indo para o sobrenatural. Não sou paranoico! Eu nunca acreditei ou desacreditei da ideia de que coisas sobrenaturais existissem, como vida após a morte, de que existem magias negras em algum lugar fora daqui, mundos misteriosos a serem descobertos... Na verdade, eu sempre considerei que pudessem existir mundos diferentes do nosso por ai. Afinal, por que se limitar a somente um pequeno espaço, se esse universo é tão grande?
Não acha?
— Senhor Hope, deseja compartilhar algo com a gente?! — o professor praticamente gritou comigo. Odiava gritos, ouvia gritos o dia todo, e depois me perguntavam mesmo o porquê de eu querer ir para o cemitério à noite. Mas enfim, às vezes dava vontade de fingir que o professor não estava ali.
— Não! — respondi a mesmo tom, o deixando dar a aula dele em paz, contanto que ele também me deixasse quieto.



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