segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Conto #5 - Milagres

  Oi pessoal! Tudo bem com vocês? Semana triste, melancólica, não consegui me desligar da semana passada e nem da retrasada, mas eu concordo com o que muitas pessoas dizem quando passam por situações como a que eu estou passando agora: tempo é o melhor remédio.
  Se bem que tempo foi meio que o causador da doença no conto do qual irei falar hoje. É uma que mais beiram a realidade de toda a antologia, uma vez que é uma realidade bem comum para diversos jovens nos dias de hoje, e ter conseguido colocar no papel um tema sobre o qual eu passei a minha vida ouvindo foi uma realização para mim, e agora gostaria de compartilhar com vocês como foi a criação dessa realização.
   Com vocês, Milagres!





Um dos desafios com o qual eu me deparei durante a criação do livro foi escrever Milagres. Desde o princípio, eu tinha como meta trazer a temática da família como um dos principais pontos na antologia, mas houve um determinado momento em que eu vi que não estava me dedicando para atingir esse objetivo, então me veio a mente escrever essa história sobre um garoto que foi abandonado pelo pai quando era criança, e que depois de um longo tempo e já entrando na fase adulta, recebe uma ligação de um homem dizendo que é o seu pai, que tem uma doença grave e que quer ter a oportunidade de ver o filho uma última vez.
Não foi muito difícil para mim ver que muitas pessoas (entre elas amigos meus) não possuem uma relação saudável com o pai. Seja pelo pai desinteressado, o pai que abandonou, o pai alcoólatra ou até mesmo o pai chato do dia a dia, muita gente que eu conheço tem, de uma forma ou outra, uma barreira que a impede de estar nos melhores termos com a figura paterna. É só pensar em quantas pessoas você conhece que sejam ou foram criadas apenas pela mãe ou pelo pai para ver que essa "distância" com um dos dois não é algo incomum nos dias de hoje, e eu decidi escrever esse conto em homenagem a todos aqueles que já foram abandonados.
Mesmo antes de eu começar a pesquisar para a antologia, eu já tinha ouvido histórias inacreditáveis sobre pais (e mães) que abandonaram seus filhos, e elas vinham de todas as fontes possíveis: televisão, conversas com amigos, e posteriormente com simples conhecidos. Mesmo assim, pra mim foi um grande desafio escrever essa história.
Primeiramente eu imaginei tudo como um texto em duas partes: a primeira parte descritiva, explicando toda a situação e deixando o leitor por dentro dos fatos; e a segunda parte feita puramente de diálogos entre pai e filho distantes. Eu cheguei a escrever a história nesses moldes, mas isso acabou me colocando em um limbo no que eu chegava a 4/5 da história e não sabia como prosseguir com ela, porque assim como em Grito (de Guerra), eu não estava me dando liberdade para criar à minha forma. Eu escrevi numa fórmula e me prendi a ela, e isso me custou semanas rebatendo o final na minha cabeça.
Eu acabei deixando o conto de lado e fui escrever outras contos da antologia, e só depois de algum tempo é que eu consegui finalizar a história, novamente utilizando a técnica de Grito (de Guerra): me dar liberdade para criar.
Por mais que eu acreditasse que a ideia de uma parte totalmente baseado em diálogos fosse inovadora e fosse dar bastante carga dramática ao conto, eu admito que não consegui trabalhar com isso. Então eu abandonei a ideia e segui em frente, e o final acabou sendo muito melhor do que teria sido se eu tivesse persistido mais nessa ideia, mas devo dizer que eu ainda estou guardando-a pra algum conto futuro...

Muito obrigado por terem lido pessoal, simplesmente quero dizer que estou amando escrever essa série de posts. Podem ficar tranquilos que, pelas próximas semanas, eu continuarei postando o por trás de cada um dos contos, então até semana que vem, quando iremos falar sobre como surgiu o leve e adolescente Não Se Mova...
Até mais!


Nenhum comentário:

Postar um comentário