terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Opinião: Playground - Rajiv Joseph

  Oi pessoal! Tudo bem com vocês? Esse carnaval foi um período muito importante para mim, já que pela primeira vez desde o início do ano eu pude parar e refletir sobre as coisas que estou fazendo e como eu estou fazendo, o que vocês sabem, é uma das minhas coisas favoritas de fazer (haha).
  E depois de um final de semana inteiro fazendo isso, eu meio que cansei, e nessa última segunda-feira, eu aproveitei que não precisaria fazer absolutamente nada e sai. Decidi ir ao teatro, uma vez que essa é uma das minhas metas para 2017: ir mais ao teatro. Com isso, decidi ir conferir uma peça de teatro que já tinha chamado a minha atenção há algum tempo: Playground, que no ano passado esteve em cartaz a partir de abril, e que, nesse ano, retornou para uma curta temporada no começo do mês.
  O resultado da minha experiência você confere agora!

Playground - Rajiv Joseph

Nome da Peça: Playground
Autor original: Rajiv Joseph
Diretor: Marco Antônio Pâmio (versão brasileira)
Elenco: Lara Hassum e Mateus Monteiro
Tempo de Duração: 70 minutos
Horários: Segundas e Terças-feiras, de 06/02 à 28/02 às 21h.
Local: Viga Espaço Cênico - SP
Preço: R$20 (inteira); R$10 (meia-entrada)

Sinopse: O espetáculo narra a história de amor e amizade entre Daniel e Karina, que se conhecem aos 8 anos de idade, na enfermaria da escola em que estudam. Ele tinha caído de bicicleta de cima do telhado e ela sentia dores de estômago.
Entre encontros e desencontros, Daniel e Karina fortalecem seu vínculo ao longo de 30 anos. Mesmo depois de muito tempo separados, seus caminhos sempre voltam a se cruzar em momentos difíceis, como em graves acidentes ou na morte.   
A ideia é criar um retrato da condição humana a partir desse relacionamento pouco convencional.


Minha experiência

  O Viga Espaço Cênico fica localizado à duas quadras do Metrô Sumaré (Linha 2 - Verde), cerca de 1h30 da minha casa. Fiz questão de sair de casa cedo para garantir o meu ingresso e, quarenta minutos antes da bilheteria abrir, eu já estava lá, esperando. Decisão sábia, devo dizer, porque apesar da calmaria e do baixo número de pessoas que estavam lá quando eu cheguei às 19:30, às 20:30, o local já estava cheio de gente e uma fila quilométrica cruzava o local para entrar na sala de 73 lugares.
  O lugar não era marcado, então sorte tinha quem estava no começo da fila. A porta para a Sala Viga abriu às 20:55, 5 minutos antes do espetáculo começar, e eu logo tratei de pegar um bom lugar na segunda fileira, bem ao lado do corredor. Apesar do que parceria, não houveram problemas para acomodar o grande número de pessoas que estavam por lá, e, cinco minutos depois do previsto, as luzes amareladas da plateia se apagaram para dar lugar à misteriosa luz azul e sombras que iluminaram o centro do palco.
  Em pouco tempo, já nos encontramos na primeira cena, com Karina e Daniel aos 8 anos de idade, se conhecendo e conversando pela primeira vez, e interpretados por atores já adultos. É incrível a naturalidade como ambos os atores são capazes de encenar crianças em uma cena e, após uma breve troca feita diante do público, darem um pulo no tempo, encenando Karina e Daniel como dois jovens adultos. É nesse vai e vem temporal que a peça narra a relação de ambos os personagens durante trinta anos, e cabe ao espectador juntar as peças do quebra-cabeças e formar a linha cronológica dos fatos.
  As cenas são imersivas e vistosas, com o aspecto visual de cada uma delas sempre no ponto. Os figurinos, a forma como o cenário é construído bem na nossa frente pelos próprios atores - em cenas bem sincronizadas e estruturadas que adicionam um pouco de dança à peça -. a iluminação do palco, tudo isso age em perfeito conjunto para que seja possível acompanhar essa história através de três décadas. E a parte sonora também não desa
ponta! Apesar de agir primariamente nas trocas de cena, ela ajuda em todo o processo de imersão e faz somente adicionar.
   Já a história, apesar de estar completamente fora da ordem cronológica, é fácil de acompanhar para aqueles com um pouco mais de atenção. Tem horas que faz rir; tem horas que prima pela angústia, e há também momentos de emoção. 
  Por termos a todo momento apenas dois atores em cena, é preciso que os dois deem tudo o que tem, e é exatamente o que acontece. Lara Hassum encarna bem na pele de Karina, e suas emoções são o fio condutor que guiam a peça, de maneira que não seja difícil se emocionar quando ela se emociona, ou se deixar levar pela sua raiva. Porém, quem realmente brilha aqui é Mateus Monteiro, que passa realidade tanto ao interpretar um Daniel com 8 anos, como ao dar vida a um de 38. Não se preocupar com algumas situações pelas quais o personagem passa, ou até mesmo com coisas com as quais ele se preocupa (Karina é um exemplo) é difícil, principalmente por conta da expressividade do ator em cena.
  No fim da peça, foi impossível não aplaudir de pé por mais de um minuto, e qualquer tempo esperando pela abertura da Sala Viga foi compensada ao presenciar a história de amor e amizade de Daniel e Karina.
   Playground, anteriormente prevista para encerrar sua temporada hoje (28/02), será apresentada mais três vezes durante o mês de março, nas terças 07, 14 e 28, conforme informado na noite de ontem. Uma ótima notícia para quem deseja conferir essa ótima peça, super recomendada po
r mim.

  Por hoje é só pessoal! Lembrando que semana que vem tem mais um post aqui no blog, continuação da série "Por Trás de A Verdadeira Morte", falando do conto A Última Homenagem. Ah! E mais uma coisa, tem resenha nova de A Verdadeira Morte no ar! Dessa vez pela minha nova parceira, a incrível Carol Ramires do blog Arsenal de Ideias. Clique aqui para ler a resenha. Obrigado e até a próxima!

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